quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Mané, que deveria ter saído do inferno astral há dias, vê-se envolvido numa maré de contratempos, coisas dando errado mais por sua culpa do que por culpa dos outros, o que é um fato muito raro. Num momento de reflexão começou a pensar nessa coisa de fazer coisas erradas enquanto se tenta fazer a coisa certa e lembrou-se de uma conversa que teve com o sogro que adorava recitar máximas e conselhos e que Mané fingia escutar diligentemente tentando às vezes extrair daí algum ensinamento porque Mané, que esta ficando velho, sabe que os velhos sempre têm alguma carta na manga. Naquela ocasião, alguém próximo tinha feito uma coisa muito errada que iria trazer dissabores e prejuízos para todos e o sogro divagava sobre o ser humano ser um fraco que sempre cedia às tentações que o rodeavam e como ele achava isso inevitável, ele era partidário de que as pessoas fizessem coisas erradas, mas que ao fazê-las, fizessem direito, com o mínimo de rastros e com o mínimo de prejuízo para outras pessoas. Mas só se fosse inevitável, insistia. E discorreu como ele cometeria aquele erro sobre o qual estávamos falando. Mané querendo provocá-lo quis concluir então que ele não achava errado fazer coisas erradas e ele respondeu então que, se fosse para proteger os seus, se fosse inevitável, com o mínimo prejuízo para terceiros, não via problema em fazer coisas erradas, era inevitável, “todo mundo faz, todo mundo tem um segredo inconfessável”. Olhando para o sorriso amarelo de Mané emendou: “o único problema de fazer alguma coisa errada é quando descobrem”! 26/11/2019

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