quarta-feira, 12 de julho de 2017

Salma chega à mesa do café e fala pra Mané que acabou de ler que toda pessoa tem, em média, 13 segredos na vida que não foram revelados a ninguém. “Você tem?”, ela pergunta. Mané fica pensativo e o momento passa sem que tenha que responder. Depois do café, do leite, do pão e da manteiga, Mané levanta da mesa e diz: “13, não sei, mas um par deles, talvez”! E Mané se retira estrategicamente deixando a questão no ar. Depois, no caminho para o escritório entre segredos e memórias, Mané pensa numa garota que conheceu e que vivia o atormentando para que lhe contasse um segredo escabroso, que ela tinha alguns, e ela propunha fazer uma troca de segredos inconfessáveis e Mané sempre fugia do assunto dizendo, segredos são segredos, tem que permanecer secretos. Com esses pensamentos Mané viajou para o passado e lembrou-se da última vez que esteve com a moça, tinha sido uma noitada daquelas. Ela e Mané acordaram apressados e se vestiram correndo e, por alguma razão que agora foge ambos sabiam que tudo acabava ali. Mané deixou a moça no trabalho dela e foi para seu próprio e passou aquele dia pensando na moça, ainda estava com seu cheiro no corpo e de tarde, quando já quase tudo tinha se apagado, numa reunião, Mané afasta a cadeira e se recosta fingindo prestar atenção ao interlocutor quando se depara, depositado no meio da sua coxa na calça do terno, com um fio longo de cabelo loiro escuro e isso lhe traz à tona tudo novamente. Ele remove delicadamente o fio loiro escuro, quase castanho, de cabelo e o observa sem disfarce sob o olhar estupefato das outras pessoas. E Mané não se de lembra nada mais daquele episódio e aquele fio loiro, quase castanho, grudado nas suas calças, é a única razão pela qual Mané nunca mais se esqueceu dela. 30/05/2017

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