domingo, 13 de janeiro de 2019

Quando Mané era criança costumava passar a tarde em casa com a sua avó, mãe de sua mãe. A avó, que tinha tido um infarto, precisava fazer caminhadas e Mané a acompanhava em pequenos passeios pela Av. Rio Branco, onde moravam. Eles iam até a granja comprar uma galinha pro jantar, iam até a farmácia, até a venda para um tubo de margarina ou um pão de forma e, às vezes, a um local que tinha acabado de ser inventado chamado supermercado. Certa feita, quando ja tinham comprado tudo que precisavam e se preparavam para sair, Mané encasquetou com uma bolacha mas a avó disse que não teria mais dinheiro o que provocou uma birra por parte do moleque e a avó, que habitualmente cedia a tudo que o neto queria, foi até a tal bolacha, pegou um pacote e o colocou por dentro da malha, arrastou Mané boquiaberto até o caixa, pagou as compras [menos a bolacha] e saiu do supermercado esbaforida. Na rua Mané tentou argumentar mas ela lhe fez « shhhhhh » com o dedo nos lábios e lhe deu o pacote de bolachas. Em casa, enquanto abriam o produto do roubo, ela fez Mané prometer que nunca contaria nada a ninguém, que tinha feito uma coisa errada mas que às vezes, mesmo sem querer, o ser humano fazia isso. Disse pra ele nunca repetir o gesto mesmo se fosse em benefício de um neto. Mané ouviu tudo com os olhos arregalados entre uma bocada e outra de bolacha e prometeu não contar a ninguém o segredo, mas, como às vezes o ser humano faz coisas erradas, 57 anos depois do acontecido, Mané quebrou a promessa. 15/11/2018

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